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Agricultura

Programa ‘Energia Forte no Campo’ pretende melhorar redes de distribuição no RS

Programa ‘Energia Forte no Campo’ pretende melhorar redes de distribuição no RS
Projeto lançado pelo governador prevê, entre outras melhorias, transformação da rede para trifásica - Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
28.08.2019 15h40  /  Postado por: Elion Silva

O Rio Grande do Sul tem mais de 506 mil propriedades rurais eletrificadas – próximo de 100% do total. Porém, somente pouco mais de um terço são redes trifásicas, causando um gargalo no desenvolvimento destas propriedades e na economia do Estado.

Com o intuito de qualificar as redes de distribuição de energia elétrica na zona rural gaúcha, o governo aproveitou a vitrine da maior feira do agronegócio do Estado para lançar, nesta quarta-feira, 28, o programa Energia Forte do Campo, em cerimônia na casa do Sistema Ocergs-Sescoop/RS na Expointer 2019.

Por meio de financiamento do BRDE, o projeto prevê investimentos em obras de melhorias e transformação para rede trifásica. O público-alvo são os produtores organizados em cooperativas ou associações.

“O povo gaúcho é empreendedor, trabalhador e talentoso, mas se não houver energia forte, não terá capacidade de transformar o talento e o trabalho em produtividade. A cadeia leiteira, por exemplo, é afetada exponencialmente: quanto mais ordenhadeiras e resfriadores, maior será sua capacidade de produção, além da redução de custos. E para ter o maquinário, é fundamental a rede trifásica. Por isso, buscamos formatar um programa capaz de atender essa demanda, que vai impactar em toda a economia do Estado”, afirmou o governador Eduardo Leite.

Conforme explicou o secretário de Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos, o Energia Forte no Campo está sendo lançado neste ano para dar início à formação de parcerias com cooperativas, concessionárias e municípios – e, quem sabe, também do governo federal – para começar a ser implementado no ano que vem, seguindo até 2022.

Já na primeira fase, em 2020, o programa deve beneficiar 1,2 mil propriedades rurais do Estado, com a construção de 365 quilômetros de redes trifásicas. Para isso, o programa prevê uma linha de crédito de R$ 20 milhões do BRDE, com carência de dois anos e oito anos para pagamento. O custo do investimento será dividido entre produtores, cooperativas, concessionárias, permissionários, prefeituras e governo do Estado.

energia forte no campo Expointer 2019

– – Foto: Sema

“Já garantimos R$ 4 milhões no orçamento do Estado para 2020. Mas queremos ampliar esse montante no ano seguinte para, no mínimo, R$ 10 milhões”, anunciou o governador, aplaudido pela plateia.

O custo médio é de R$ 55 mil por quilômetro de rede de distribuição de energia elétrica trifásica na área rural e a densidade é de 3,08 consumidores por quilômetro.

“Estudos demonstram que o aumento da capacidade energética efetivamente aumenta a produtividade, o que impacta também na arrecadação de ICMS. Ou seja, todos saem ganhando”, destacou Lemos.

O Energia Forte no Campo prevê a qualificação das redes de distribuição de energia elétrica no meio rural, incluindo investimentos em obras de complementação de fases, reforço da bitola dos condutores e melhorias como substituição de postes de madeira por postes de concreto, reformas da rede elétrica, instalação de transformadores, modernização nos sistemas de proteção e segurança da rede, adequação dos níveis de tensão, qualificando o atendimento ao consumidor rural.

“Hoje é um dia muito feliz para todos nós e o Estado todo deve comemorar pois, se o cooperativismo vai bem, o RS pode ir também, e de forma muito mais rápida. Afinal, o cooperativismo não divide, sempre soma”, afirmou Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs/Sescoop-RS.

Entenda 

A distribuição da energia elétrica é feita de acordo com a necessidade de cada estabelecimento residencial, comercial ou industrial. Antes de ser utilizada, a energia elétrica fornecida pelas concessionárias passa por transformadores instalados em postes. Esses equipamentos podem ser mono, bi ou trifásicos.

Monofásica: a rede monofásica é feita com dois fios, um fase e outro neutro. A tensão máxima é de 127V e a potência chega a 8.000 watts. É distribuída através de tomadas de uso doméstico comuns e utilizada para a alimentação de equipamentos do cotidiano, como notebooks, iluminação e televisões.

Bifásica: a ligação da rede bifásica é feita com três fios, dois fases e um neutro. As tensões máximas são de 127V e 220V, e a potência vai de 12.000 watts até 25.000 watts. Ela não é utilizada em zonas urbanas porque geralmente os moradores das cidades têm um maior número de equipamentos elétricos.

Trifásica: a instalação da rede trifásica é feita com quatro fios, três fases e um neutro. As tensões são de 127V ou 220V, e a potência vai de 25.000 watts até 75.000 watts. É a forma mais eficiente de distribuir energia para longas distâncias, e permite a operação mais eficiente de grandes equipamentos industriais.

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