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Agricultura

Parreirais que unem gerações

11.02.2020 10h16  /  Postado por: Elion Silva

“Meus avós já cultivavam a uva e isso traz lembranças da infância”, conta o viticultor Leandro Rasquinha Lopes que, ao lado da esposa Iara, da filha Betina e dos pais Lair e Lucila mantém o cultivo da fruta como uma atividade geradora de renda e que tem garantido a sucessão familiar. A propriedade de 14,4ha está na localidade de Rodeio Bonito, cerca de dois quilômetros do centro da cidade de Barros Cassal.

A família focou no cultivo de uvas para a produção de vinhos finos e espumantes. “Começamos porque gostamos dessa atividade”, frisa o patriarca Lair Rasquinha Lopes. Para tanto, são cultivados cerca de dois hectares com variedades de Merlot, Cabernet Sauvignon, Marselan, Pinot Noir, Nebbiolo e Chardonnay. “A ideia era plantar viníferas porque não havia essa produção no município”, lembra Leandro ao relatar que os primeiros parrerais foram implantados em 2010, sendo os primeiros vinhos produzidos em 2012. Nascendo assim a Cantina Guabiju, nome em homenagem a árvore centenária que existe na propriedade.

Os passos seguintes foram a construção da cantina para a produção dos vinhos e espumante, a legalização do empreendimento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o cadastro no Programa Estadual de Agroindústria Familiar da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). A Cantina possui responsável técnico e enólogo e todo o processo, desde o cultivo da uva até a fabricação dos vinhos, é feito pela família. “Uma produção artesanal, mas com grande qualidade”, ressalta Leandro. “A ideia é produzir cerca de três mil garrafas por ano. Mas esse ano a produção está boa e vai passar deste número”, pondera.

A qualidade do vinho começa no parreiral. Pois, uma uva sadia, colhida no ponto de maturação ideal, é o início da caminhada. O processo de vinificação passa por várias fermentações e depois o vinho é armazenado em barris de carvalho para “ganhar corpo”. Após um período de “descanso” nos barris o vinho fica pronto para ser engarrafado em garrafas numeradas. Uma parte do vinho é engarrafado no mesmo ano da elaboração do vinho, o chamado, vinho jovem. A produção é comercializada na propriedade da família. “Estamos aguardando a autorização para participar das feiras e atrair mais clientes”, planeja Leandro.

A família conta com assistência técnica da Emater/RS-Ascar, em parceria com a Seapdr. “A Emater nos ajuda muito”, ressaltou Leandro. Segundo a extensionista rural agropecuária, Carina Sthal, com a implantação da Cantina Guabiju o contato com a família se intensificou. “Estamos acompanhando todos os processos desde o manejo dos parrerais até a produção dos vinhos e espumantes”, explica.

Além das variedades para a produção dos vinhos e espumantes, a família também cultiva variedades de uva de mesa como a Rubi, Itália, Isabel, Niágara Rosa. “As pessoas que vêm até aqui sempre querem a fruta para levar. Então é importante ter esse cultivo”, analisa Leandro que ainda ressalta o potencial turístico do município. “A ideia é valorizar o município. O turismo é uma atividade que gera desenvolvimento e Barros Cassal tem potencial. São cascatas e lugares muito bonitos que podem trazer visitantes”, avalia.

Em Barros Cassal seis famílias investem na produção de uvas como fonte de renda. Juntas, essas famílias somam cerca de cinco hectares destinados a produção da fruta. Entre as principais variedades cultivadas no município constam a Bordô, Francesa, Niagara e Isabel. Além disso, diversas famílias possuem parrerais em suas propriedades para consumo, sem comercialização.

A extensionista destaca que a Emater/RS-Ascar promove capacitações para estimular a produção de frutas no município. “Fizemos uma capacitação em fruticultura e outros agricultores se interessaram por temas como a poda, controle de doenças, recuperação de parrerais antigos, manejo do solo. Além disso, viabilizamos a participação de um agricultor em um curso de vinificação em Ibarama. Isso aumentou o interesse e outros produtores estão pedindo orientações e acompanhamento por meio das visitas técnicas e atividades em grupos como os dias de campo”, frisa Carina.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional de Soledade
Jornalista Carina Venzo Cavalheiro
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