Três réus são condenados por homicídio qualificado após dois dias de júri em Arroio do Tigre
O Tribunal do Júri da Comarca de Arroio do Tigre condenou, na noite de quarta-feira (4), três réus acusados pela morte de Fernanda Winkelmann, de 38 anos. O julgamento teve início na terça-feira (3) e foi encerrado por volta das 22h de quarta-feira, após dois dias de sessão.
Sentaram no banco dos réus Roseli Assunção, sua filha Estefani Tanise Assunção da Rosa e Justino Müller, que era marido da vítima na época do crime.
Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença considerou os três réus culpados por homicídio qualificado. Roseli Assunção foi condenada a 17 anos e 6 meses de prisão. Estefani Tanise Assunção da Rosa recebeu pena de 15 anos de reclusão. Já Justino Müller foi condenado a 15 anos de prisão.
Roseli e Estefani também receberam acréscimo de seis meses de pena por fraude processual, por terem alterado o local do crime após o homicídio.
De acordo com os autos do processo, o crime aconteceu no dia 17 de agosto de 2020, pouco depois do meio-dia, na residência do casal, em Linha São Pedro, interior de Arroio do Tigre.
Segundo a denúncia do Ministério Público, mãe e filha teriam atacado Fernanda Winkelmann com golpes de faca e agressões com pedaços de madeira. A vítima sofreu ferimentos graves e morreu no local.
Na época, Fernanda era casada com Justino Müller e o casal tinha três filhos, que tinham 21, 10 e 2 anos.
O Ministério Público apontou o marido como mentor. Conforme a acusação, Justino mantinha um relacionamento extraconjugal com Roseli Assunção. O Ministério Público sustentou durante o julgamento que ele foi o mentor intelectual do crime, tendo planejado o assassinato em conjunto com as duas acusadas.
Mobilização por justiça
Durante os dois dias de julgamento, familiares e amigos de Fernanda se reuniram em frente ao Fórum de Arroio do Tigre. Eles exibiram cartazes e camisetas com a imagem da vítima e mensagens pedindo justiça.
O júri foi presidida pela juíza Márcia Rita de Oliveira Mainardi. A acusação foi conduzida pelo Ministério Público, representado pelo promotor Jefferson Dall Agnoll, com assistência dos advogados Dalmir Rech e Carine Hermes Rauber, de Arroio do Tigre.
A CONDENAÇÃO
Os réus Roseli Assunção, Estéfani Tanise Assunção da Rosa e Justino Muller foram condenados por homicídio qualificado. O Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e autoria do crime, bem como algumas qualificadoras.
No caso de Roseli Assunção, os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ela também foi condenada por fraude processual. A pena foi fixada em 17 anos e 6 meses de reclusão pelo homicídio, além de 6 meses de detenção pela fraude processual e 10 dias-multa. O regime inicial determinado foi o fechado.
Já Estéfani Tanise Assunção da Rosa foi condenada por homicídio qualificado pelo emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, sendo afastada a qualificadora de motivo torpe. Também foi condenada por fraude processual. A pena foi fixada em 15 anos de reclusão pelo homicídio e 6 meses de detenção pela fraude processual, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
Quanto a Justino Muller, o Conselho de Sentença reconheceu sua participação no homicídio na condição de mentor intelectual, além da qualificadora de motivo torpe, afastando as demais qualificadoras. O quesito de absolvição foi rejeitado.
Após o encerramento do júri, os três condenados foram presos e encaminhados ao Presídio.
Fotos: Magali Drachler



