Saída do presidente da Petrobras repercute entre oposição e abre discussão sobre política de preços da empresa
A demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente, foi vista como uma vitória pela oposição, mas foi criticada por deputados ligados ao governo. Pelo Twitter, vários deputados comemoraram o que viram como um sinal de que a atual política de preços da Petrobras pode ser alterada.
Pedro Parente era defensor dessa política, que repassa as flutuações do preço do petróleo e do dólar para as distribuidoras, o que levou a mais de 200 atualizações de preço no último ano.
Oposicionistas viram a recente crise com o preço dos combustíveis e a greve dos caminhoneiros como um sinal de que a política anterior era mais acertada, sem repasses frequentes. O líder do PT, deputado gaúcho Paulo Pimenta, comemorou a saída de Pedro Parente e lembrou que ele foi ministro e está ligado às privatizações durante o governo Fernando Henrique Cardoso:
“Mas não basta, é preciso avançar mais, temos de derrotar a política de preços da Petrobras, mudar o conselho de administração, que hoje está tomado pelas multinacionais, e recuperar a Petrobras para os brasileiros. Essa derrota mostra que a pressão popular, a luta organizada, pode sim obter vitórias.”
Em sua carta de demissão, Pedro Parente disse que a crise com a greve dos caminhoneiros expôs a política de preços da Petrobras de forma equivocada, e considerou que sua permanência na presidência da empresa poderia impedir “a construção de alternativas”.
O líder do DEM, deputado Rodrigo Garcia, de São Paulo, lamentou a saída de Pedro Parente, mas disse que sua demissão foi inoportuna e não ajuda na solução da crise:
“Durante a greve dos caminhoneiros, todo brasileiro conheceu a política de preços praticada nos combustíveis pela Petrobras. E o governo, de maneira acertada, manteve essa política, e usou outros instrumentos, como a redução de impostos, para minimizar o aumento dos últimos dias.”
Pedro Parente frisou que a Petrobras estava sendo gerida sem interferência política, e que a empresa não precisou de recursos do governo para se recuperar. Ele recomendou ao presidente Michel Temer que seu sucessor continue com a política atual da empresa.
Foto: Adriano Machado / Reuters
