Um dos estados brasileiros mais atingidos pela seca neste verão, o Rio Grande do Sul dispõe de uma proteção maior do que a média nacional, principalmente nas culturas de soja e milho, que somam 3,035 milhões de hectares com cobertura de seguro público e privado. Essa área representa 42,7% das lavouras dos dois grãos previstas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2021/2022. Os dados são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
No Brasil, se pegarmos todas as culturas, nós passamos por pouco dos 20%, com 14 milhões de hectares. Quando a atual gestão do Mapa assumiu, a área total era de apenas 4,5 milhões. Nesse quesito, o Rio Grande do Sul está acima da média brasileira, sendo o segundo estado brasileiro que mais contrata seguro rural particular, e o primeiro que mais contrata o Proagro”, destaca Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos do ministério.
O Proagro é um programa do governo federal que garante o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola quando a lavoura amparada tiver sua receita reduzida por causa de eventos climáticos ou pragas, com foco principalmente em pequenos e médios produtores, embora esteja aberto a todos. Já o seguro agrícola particular é mais abrangente, e pode ser adaptado às demandas específicas de cada produtor.
Segundo a Emater-RS, os efeitos da estiagem já atingiram mais de 250 mil propriedades gaúchas desde outubro de 2021. Dentro dos aproximadamente 40 mil acionamentos do Proagro em todo o Brasil até 20 de janeiro, a maior quantidade veio de produtores gaúchos, 20.719. Outros 4.375 produtores do Estado acionaram os sinistros de seguros agrícolas particulares, o segundo maior número no país, atrás apenas do Paraná.
Segundo estudo da FecoAgro/RS, o prejuízo dos produtores gaúchos em razão da estiagem nesta safra já é estimado em valor superior a R$ 36 bilhões.
