Ao saberem via redes sociais sobre a possibilidade de greve dos caminhoneiros, motoristas de Porto Alegre e outras cidades do RS, lotaram postos de combustíveis na tarde de domingo.
No dia 31 de agosto, circularam em aplicativos, mensagens de áudio cuja autenticidade não foi comprovada, convocando para paralisação a partir da madrugada desta segunda-feira, 3. Contudo, ficou constatado que alguns são áudios antigos, veiculados em manifestações anteriores.
O integrante da Associação dos Caminhoneiros do Centro Serra, Fabiano Bertolin, o Binho, confirmou que a informação é ‘Fake News’, ou seja, notícia falsa.
Em 30 de agosto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou os novos preços de referência para o óleo diesel, que registraram alta de até 14,4% em alguns Estados. A notícia do aumento significativo sobre o preço do diesel provocou reações imediatas no transporte rodoviário de cargas, sobretudo nos transportadores autônomos de cargas em todo o país, bem como em lideranças e entidades representativas da categoria.
Até o momento, apenas a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), pronunciou-se oficialmente sobre o reajuste no preço do combustível, que classificou como significativo. Informou, ainda, que já solicitou à Casa Civil uma audiência para tratar do referido aumento.
Binho disse também que está programado para entre 10 e 12 de setembro, a categoria ir a Brasília, cobrar a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) reajuste na tabela do frete.
Outro ponto que tem gerado muita reclamação, segundo a categoria, seria a falta de fiscalização do cumprimento da Lei 13.703, de competência da ANTT, pois várias transportadoras estariam pagando o frete no valor abaixo do previsto na nova legislação.
Também circula pelos aplicativos de trocas de mensagens um comunicado de uma suposta entidade representativa da categoria, denominada de União dos Caminhoneiros do Brasil (UDC). O documento (em formato PDF), datado de 30 de agosto, informa que fará uma mobilização nacional paralisando por tempo indeterminado em todo transporte rodoviário de carga. Apresentam outras solicitações e fazem críticas à ANTT.
Entretanto, a UDC não possui representante legal, e não há registros que tenha participado de qualquer negociação anterior em prol da categoria.
A categoria demonstrou grande contentamento com as três leis sancionadas durante agosto de 2018, que fizeram parte do acordo firmado com o governo para encerrar as paralisações em maio de 2018. Sendo a Lei 13.703/2018, que institui a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, a principal reivindicação dos caminhoneiros.
Diante deste cenário, não se descarta uma nova paralisação da categoria, embora a possibilidade seja bastante pequena. Além disso, as lideranças são difusas, o que pode acarretar em manifestações pontuais e sem uma coordenação.

