Operação envolveu duas empresas de Sobradinho e uma de Arroio do Tigre
O delegado da Receita Federal, Leomar Padilha, falou à Geração FM nesta quinta-feira, 16, sobre a Operação Fumo Papel, desencadeada no Rio Grande do Sul e região Centro Serra.
De acordo com ele, os nomes das empresas envolvidas, que se beneficiavam com créditos indevidos, não foram divulgados. Porém, Padilha salienta que são grandes indústrias do setor da fumicultura. Estes lugares vão precisar ressarcir os valores adquiridos de forma ilegal, além de pagar o Imposto de Renda e a contribuição da previdência que não eram pagos. O prejuízo é estimado em R$ 277 milhões, maior do que o orçamento de Venâncio Aires, município que mais produz tabaco.
Segundo ele, as empresas fantasmas eram criadas para a emissão de notas fiscais na compra do tabaco dos agricultores. “O esquema era muito complexo. Nós detectamos mais de R$ 700 milhões apenas em emissão de nota fiscal. Foi um golpe que poderia sustentar uma cidade por um ano inteiro”, destaca. Três crimes foram detectados: lavagem de dinheiro, estelionato e ocultação. Ao todo 40 empresas fantasmas foram alvos, mas acreditasse que existam centenas delas.
O delegado Padilha revelou que no Centro Serra foram alvo da Operação, duas empresas de Sobradinho e uma de Arroio do Tigre.
A operação
Realizada pela Receita Federal com apoio da Procuradoria da Fazenda Nacional e da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, a Operação Fumo Papel foi desencadeada em Santa Cruz, Venâncio Aires, Boqueirão do Leão, Sobradinho, Arroio do Tigre, Cerro Grande do Sul, Dom Feliciano, Porto Alegre, Camaquã, Amaral Ferrador, Candelária, Vale do Sol, Agudo e Vera Cruz. O objetivo foi desarticular um esquema de fraude tributária estimado em R$ 277 milhões.
Segundo a investigação, grandes empresas atacadistas e exportadoras do setor do tabaco que se beneficiavam com créditos indevidos de PIS e COFINS, gerados a partir da emissão de notas fiscais de compra de fumo de empresas fantasmas. Essas empresas fictícias, que existiam apenas no papel, emitiram notas fiscais de vendas no montante de R$ 706 milhões de reais. Algumas delas eram também utilizadas na emissão de notas de venda de fumo para abastecer fábricas clandestinas de cigarros, outra fonte de renda para os mentores do esquema fraudulento.
No esquema havia sonegação de contribuições previdenciárias devidas sobre o valor da compra de fumo e superfaturamento do custo dos produtos, gerando prejuízo contábil para evitar o pagamento de Imposto de Renda sobre o lucro.
A ação teve a participação de 53 Auditores-Fiscais da Receita Federal, 31 Analistas-Tributários da Receita Federal e 2 Procuradores da Fazenda Nacional, além de 30 militares da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
(Foto: Guilherme Bica/Portal Arauto)
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