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O que o chimarrão nos ensina

O que o chimarrão nos ensina
10.06.2024 06h53  /  Postado por: Reportagem

O chimarrão nos mostra como nos ajudamos, como vivemos em grupo, como abrimos o nosso coração contando histórias

O chimarrão é parceria, é para ser celebrado em bando, da esquerda para a direita.

O chimarrão é feito para girar. Você não pede chimarrão, ele é oferecido.

O silêncio é concordância. Você só diz “obrigado” quando não quer mais.

O chimarrão nos ensina que não estamos sós. Não nascemos para o confinamento, para o isolamento.

O chimarrão nos mostra como nos ajudamos, como vivemos em grupo, como abrimos o nosso coração contando histórias, como tudo sucede ao redor das canções de nossa terra.

Ainda vamos voltar a rir. Ainda vamos voltar a ser leves. A dor um dia será lembrança finda, a ferida um dia será cicatriz fechada, a enchente um dia será marca na parede.

Não agora, não hoje, não amanhã. Um dia! Depois dos helicópteros e barcos. Depois do mutirão. Depois dos rodos e das pás. Depois do cimento e da tinta. Depois da reconstrução dos ninhos.

Não podemos nos esquecer do chimarrão. É o nosso fogo reinventado.

O chimarrão significa família, amizade, confidências.

Não tem solenidade, não tem cerimônia, não tem exigência, não tem que pagar prenda, não depende de convite, é apenas puxar uma cadeira e se aprochegar.

Quem é de fora passa a ser parte do círculo. O círculo cresce conforme as visitas e jamais se quebra. Uma vez no círculo, você não é mais posto de lado.

O chimarrão é respeito, tradição, apego às raízes.

Não mata somente a sede, mas a fome de estar junto.

Na roda, nenhuma pessoa é melhor do que a outra, a companhia nos torna melhores. Por isso, você deve segurar o chimarrão com a mesma mão que cumprimenta: a mão da sinceridade, da palavra firmada, do pacto, do acordo, da promessa, da confiança.

Não há inverno que o esfrie, não há verão que espante o hábito.

Alguém aquecerá a água, alguém carregará a térmica. É um trabalho de equipe, de igualdade, de complemento.

O chimarrão é o mate amargo que fica doce pelo convívio.

A mateira é nossa mochila no desespero ou na exaltação, permitindo que a nossa bebida aconteça em qualquer lugar, em qualquer situação, em qualquer estrada, em qualquer momento.

Toma-se para relaxar. Toma-se para reagir. Toma-se para pensar. Toma-se para decidir.

É um vício e um apoio, é uma virtude e um conselho.

Nunca deixamos ninguém morrer com a cuia na mão. Que ela siga em frente. Que continue rodando, cumprindo o seu destino, reiniciando ciclos.

O chimarrão será sorvido até ficar lavado. Até escurecer a erva. Até anoitecer. Até surgirem as estrelas no céu do Rio Grande.

Todos precisam fazer o mate roncar antes de passá-lo adiante. Só o entregamos depois do ronco. Nunca bebemos a vida pela metade. Nunca sucumbimos. Somos incansáveis mateando desde cedo, desde sempre.

Existem aqueles que acordam com o café, e existimos nós no mundo, nós que sonhamos com o chimarrão.

Zero Hora

Fabrício Carpinejar

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