‘Memória melhorou 100%’, diz mulher de 71 anos que saiu de Sobradinho para estudar em Santa Maria
“A faculdade parece que foi criada para jovens, mas ela recebe todo mundo”, afirma Almeri Moura Pereira, de 71 anos, recém-formada em pedagogia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do estado. A cerimônia de sua primeira colação de grau foi no sábado, 11, no Centro de Convenções da universidade.
“Abriu minha mente, melhorou minha autoestima, a memória melhorou 100%. E a convivência com jovens foi muito boa”, destaca.
Aposentada, viúva e com as filhas fora da cidade, em 2010 Almeri decidiu voltar a estudar para terminar o ensino médio.
“Me sentia muito sozinha e achei que precisava fazer alguma coisa”, conta.
Depois de uma tentativa de cursar matemática, Almeri decidiu deixar Sobradinho para estudar e morar em Santa Maria.
“O nosso tempo é qualquer hora, onde a gente quiser estudar.”
Em 2015, fez vestibular para pedagogia e foi aprovada em segundo lugar na UFSM. Na cidade, ela foi morar na Casa do Estudante (CEU) e dividiu uma quitinete com uma colega de curso.
Apesar de algumas dificuldades, principalmente em relação às tecnologias, Almeri afirma que não tem nada a reclamar do período que passou na universidade. A pedagoga realizou diversos estágios em escolas públicas na cidade. No último, conta que os alunos a chamavam de “vóvó”.
“Tinha medo de ser rejeitada pela minha idade, e no final eles pediram para eu não ir embora, que iriam sentir saudades”, recorda Almeri.
O trabalho de conclusão de curso sobre a inclusão de surdos na UFSM foi escrito quase todo à mão, e ela ainda recebeu nota máxima na apresentação.
A entrega do diploma foi assistida pelas duas filhas e pelos três netos. “Foi lindíssima [a formatura], recebi homenagens dos colegas oradores e também dos professores”, conta.
Com o fim da graduação, Almeri vai voltar a morar em Sobradinho. Ao G1, ela contou que não pretende se acomodar, e que deve se dedicar a ensinar o que aprendeu.
“Meu objetivo é levar um pouco de esperança para as pessoas da minha idade. Sei que vamos ficando acomodados, e é muito ruim para nós, vamos achando que não temos tempo para as coisas”.
