Passava das 6h e o barulho dos helicópteros já dava o tom de apreensão e luto que vive a população de Brumadinho, em Brumadinho, nesta segunda-feira — o quarto dia de resgate das vítimas da tragédia que atingiu a região na última sexta-feira com o rompimento de uma represa de rejeitos de mineração da Vale. Em conversa com moradores que trabalham no comércio e até nos hotéis da cidade, o semblante de tristeza é marcante. Praticamente todos na cidade conhecem, têm parentesco ou eram amigo de alguém que está desaparecido ou morreu vítima do desastre.
O balanço, até o momento, é de 58 mortos, 19 corpos identificados e ao menos 305 desaparecidos. “Tenho três primos desaparecidos, certamente estão mortos. Um deles tinha ido à Vale para pedir demissão, pois ia trabalhar por conta própria”, revelou a cozinheira Maria de Fátima Souza, que trabalha em um hotel da cidade.
A segunda barragem, que chegou a causar apreensão e medo nos moradores da cidade na manhã de ontem, provocando inclusive o disparo de sirenes de alerta pela defesa civil, hoje já não oferece risco, pois segundo o Corpo de Bombeiros, o nível da água baixou. Ontem à noite, chegou a equipe de militares israelenses, com cerca de 130 soldados. Após uma reunião às 9h da manhã desta segunda-feira, eles devem reforçar as centenas de bombeiros, policiais e as equipes da Defesa Civil que trabalham nas buscas.
Na comunidade do Córrego do Feijão, área mais atingida pelo desastre, equipes dos bombeiros retomaram o processo de resgate de um micro-ônibus encontrado sob a lama. Ainda não se sabe o número de vítimas neste veículo, que foi encontrado no fim da noite de ontem.
