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Educação

Gisele Rocha, obtém segundo lugar no 35º Concurso Literário Internacional

Gisele Rocha, obtém segundo lugar no 35º Concurso Literário Internacional
02.11.2021 08h53  /  Postado por: Reportagem

Ufanamo-nos ou reconhecemo-nos?

As praias do Brasil ensolaradas, verdejadas por palmeiras onde canta o

sabiá… Florão da América, com a liberdade raiando em seu horizonte…

Músicas, poemas e hinos são os pigmentos de uma garbosa tela, misto de

romantismo com contornos árcades, digna de ser afixada no mais nobre

espaço do Louvre, intitulada “Brasil”. Todavia, tal obra-prima, mesmo tendo sua

existência reconhecida mundialmente, segue encaixotada, acumulando poeira,

pois ninguém sabe responder à pergunta: quem a pintou?

Alguns cogitam que o artista há muito já fora levado pelos braços

traiçoeiros do tempo, uma vez que o cenário por ele vislumbrado sugere ser de

outrora. Outros dizem tratar-se de um prisioneiro cuja única visão entre as

grades é definida por seu desejo de soltura e não por seus olhos. Há os que

afirmam que o pintor é um abastado, avesso ao convívio social, que nutre o

hábito de traduzir em arte seu universo particular. Enfim, as hipóteses de

autoria são fecundas, porém seguem sem comprovação.

Enquanto famosos críticos de arte buscam reunir indícios de autoria,

artistas encobertos pelo anonimato do cotidiano desenham, com traços firmes

e poucas cores, telas com o mesmo título, compondo uma vasta coleção que

vai do Oiapoque ao Chuí. Estes artistas, mesmos sem conhecerem-egoria crônica

Ufanamo-nos ou reconhecemo-nos?

As praias do Brasil ensolaradas, verdejadas por palmeiras onde canta o

sabiá… Florão da América, com a liberdade raiando em seu horizonte…

Músicas, poemas e hinos são os pigmentos de uma garbosa tela, misto de

romantismo com contornos árcades, digna de ser afixada no mais nobre

espaço do Louvre, intitulada “Brasil”. Todavia, tal obra-prima, mesmo tendo sua

existência reconhecida mundialmente, segue encaixotada, acumulando poeira,

pois ninguém sabe responder à pergunta: quem a pintou?

Alguns cogitam que o artista há muito já fora levado pelos braços

traiçoeiros do tempo, uma vez que o cenário por ele vislumbrado sugere ser de

outrora. Outros dizem tratar-se de um prisioneiro cuja única visão entre as

grades é definida por seu desejo de soltura e não por seus olhos. Há os que

afirmam que o pintor é um abastado, avesso ao convívio social, que nutre o

hábito de traduzir em arte seu universo particular. Enfim, as hipóteses de

autoria são fecundas, porém seguem sem comprovação.

Enquanto famosos críticos de arte buscam reunir indícios de autoria,

artistas encobertos pelo anonimato do cotidiano desenham, com traços firmes

e poucas cores, telas com o mesmo título, compondo uma vasta coleção que

vai do Oiapoque ao Chuí. Estes artistas, mesmo sem conhecerem-se, nutrem

algo em comum: usam em suas obras o sombreado da realidade.

Ao contrário da misteriosa tela, as demais, assinadas com suor por

mãos sujas e calejadas, não despertam grande interesse. Compreende-se.

Quem deleitar-se-ia contemplando uma criança esquálida diante de uma

panela vazia? Quem seria capaz de sorrir diante do retrato de um filho que

chora a morte de seus pais por uma doença pandêmica evitável mediante a

aplicação de uma vacina recusada por gravatas cujos nós asfixiam milhares de

vidas? Quem pagaria milhões para levar para casa uma carteira de trabalho

apagada pela informalidade? Quem dormiria feliz após ver retratado que as

cores do arco-íris são lindas quando inatingíveis, mas são sinônimo de

humilhação e até mesmo morte quando estampam uma vida?

Oscar Wilde, influente escritor irlandês, certa vez disse que a vida imita a

arte muito mais do que a arte imita a vida. Bem vê-se que a afirmação partiu de

um nórdico. Até quando, em terras tupiniquins, reinará a ilusão de que a vida

algum dia assemelhar-se-á aos escorços da tela de autoria indefinida?

Só restam duas alternativas: seguirmos ufanados mediante uma obra

empoeirada ou reconhecermos que, apesar das poucas tintas e pincéis, somos

nós os artistas com coragem para assinarmos embaixo do Brasil que pintamos

diariamente. Ufanamo-nos ou reconhecemo-nos? nutrem

algo em comum: usam em suas obras o sombreado da realidade.

Ao contrário da misteriosa tela, as demais, assinadas com suor por

mãos sujas e calejadas, não despertam grande interesse. Compreende-se.

Quem deleitar-se-ia contemplando uma criança esquálida diante de uma

panela vazia? Quem seria capaz de sorrir diante do retrato de um filho que

chora a morte de seus pais por uma doença pandêmica evitável mediante a

aplicação de uma vacina recusada por gravatas cujos nós asfixiam milhares de

vidas? Quem pagaria milhões para levar para casa uma carteira de trabalho

apagada pela informalidade? Quem dormiria feliz após ver retratado que as

cores do arco-íris são lindas quando inatingíveis, mas são sinônimo de

humilhação e até mesmo morte quando estampam uma vida?

Oscar Wilde, influente escritor irlandês, certa vez disse que a vida imita a

arte muito mais do que a arte imita a vida. Bem vê-se que a afirmação partiu de

um nórdico. Até quando, em terras tupiniquins, reinará a ilusão de que a vida

algum dia assemelhar-se-á aos escorços da tela de autoria indefinida?

Só restam duas alternativas: seguirmos ufanados mediante uma obra

empoeirada ou reconhecermos que, apesar das poucas tintas e pincéis, somos

nós os artistas com coragem para assinarmos embaixo do Brasil que pintamos

diariamente. Ufanamo-nos ou reconhecemo-nos?

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