Falta de controle da massa carcerária impulsionou vinda das facções ao interior
A interiorização das facções criminosas tem chamado a atenção dos órgãos de segurança Pública do Rio Grande do Sul. Grupos como “Os Manos” e os “Bala na Cara” surgiram na região metropolitana de Porto Alegre, mas hoje estão organizados em municípios menores, no interior do Estado.
Em Arvorezinha, que fica a cerca de 114 quilômetros de Passo Fundo, a Polícia Civil e a Brigada Militar chegaram a até integrantes da facção Bala na Cara, que atuavam na região. A operação denominada “Erva Mata”, que já está na terceira fase, prendeu 13 envolvidos.
Participando do programa Caso de Polícia de domingo (29), o delegado titular de Arvorezinha, Guilherme Pacífico, contou que essa facção é violenta e a sua marca está na forma de execução dos opositores ou quem está em débito com ela. Já Os Manos, tem como selo uma identidade numérica e é mais organizada e detalhista.
O delegado destacou que as duas facções lembram um pouco a atuação dos cartéis de Medellin e de Carli, na Colômbia. Para o delegado Pacífico, o motivo que impulsionou o crescimento das facções é que o Estado brasileiro não soube e ainda não sabe cuidar da sua massa carcerária. Sem o controle dos criminosos, eles acabam tendo hegemonia, poder hierárquico e comandando o crime de dentro das penitenciárias.
Pacífico contou que, no caso da 24ª Região policial, as polícias têm trabalhado integradas com a Brigada Militar, Poder Judiciário e Ministério Público no combate à criminalidade. Destacou que somente com a união entre os poderes da área da segurança e da justiça teremos alguma chance de reverter essa situação ou impedir a expansão das facções.
Frisou que a curto prazo esse é o principal remédio, mas a médio e longo prazos são necessárias atitudes de mudança legislativa, educacionais e sociais. O delegado Pacífico disse que sempre espera dos governantes que o tema segurança seja prioridade, que ofereça uma estrutura adequada para o enfrentamento ao crime, com quadros completos de servidores e equipamentos. As informações são da Uirapuru.
