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Especialistas divergem sobre fim do uso de radares móveis no Brasil

Especialistas divergem sobre fim do uso de radares móveis no Brasil
Radares móveis são utilizados de forma itinerante no Estado, em rodovias com maiores índices de acidentes, segundo a PRF - Foto: PRF / Divulgação
13.08.2019 15h34  /  Postado por: Elion Silva

Além de ter surpreendido a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, o anúncio do fim dos radares móveis no país, feito por Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (12), preocupa especialistas de trânsito. A declaração foi feita em Pelotas, no Sul do Estado, durante a cerimônia de inauguração de 47 quilômetros duplicados da BR-116.

— A partir da semana que vem, não teremos mais radares móveis no Brasil — garantiu.

Sociólogo e consultor em segurança no trânsito, Eduardo Biavati, entende que a promessa é “antipatriótica” e um “desrespeito com toda a sociedade”. Segundo ele, “toda infração cometida ao exceder o limite de via coloca diretamente em risco a vida da pessoa”, além de terceiros.

— O equívoco disso é que realmente não somos um país pacífico no trânsito. Nas Américas, é aqui onde morre mais gente. É algo vergonhoso. Como resolver esse problema é uma questão humanitária — defende.

Sobre a fala de Bolsonaro afirmando que existe no país uma “indústria da multa”, Bivati explica que o pensamento não é peculiaridade do brasileiro e está presente em diversos países.

— Essa ideia de que pegaram o seu dinheiro por sacanagem não se sustenta. Não existe indústria da multa, existe (indústria) da infração. Se você foi pego e multado, é porque acionou o acelerador além do que devia. Isso é tão sério e grave justamente porque o que mata no trânsito é a velocidade.

O sociólogo diz acreditar que a medida deve ser barrada “em algum nível”, como no judiciário.

“Desmoraliza e descredibiliza a lei”

Para o engenheiro civil e doutor em Transportes da UFRGS, João Fortini Albano, o fim dos radares móveis “desmoraliza e descredibiliza” a lei, e é um equívoco do ponto de vista técnico.

— Esses sistemas (de controle de velocidade) levaram muito tempo para serem consolidados. Houve muita reclamação no começo, mas hoje vemos quantas mortes foram evitadas. É um retrocesso de tudo que já tínhamos conquistado.

Segundo Albano, a atitude do presidente vai “incentivar” que condutores desenvolvam “maiores velocidades e até ultrapassagens indevidas”.

— Serão prejuízos de toda a ordem. A maioria dos infratores utiliza as rodovias de forma correta. Mas há uma pequena porcentagem a quem esse discurso agrada.

“Uso excessivo”

Mas o engenheiro e especialista em trânsito Mauri Adriano Panitz discorda. Segundo ele, muitos equipamentos foram instalados de forma irregular. Hoje, no Brasil, existe um “uso excessivo de radares, pardais, lombadas”, defende.

— A maioria dessas instalações não tem projeto, nem responsável técnico. Os órgãos foram implantando de qualquer jeito. Sendo assim, todas essas multas deveriam ser anuladas. Ele argumenta também que, por isso, a arrecadação é “injusta”, e entende que existe a indústria da multa.

— O número de condutores que cometem essas infrações (de excesso de velocidade) não representa 1%. A maioria das pessoas dirige dentro da normalidade. Os equipamentos são colocados no interesse de assaltar o cidadão, não de proteger.

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