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Dono de borracharia na Serra, apaixonado por rodeios e churrasco: quem é o segundo voluntário gaúcho a morrer na guerra da Ucrânia

Dono de borracharia na Serra, apaixonado por rodeios e churrasco: quem é o segundo voluntário gaúcho a morrer na guerra da Ucrânia
Foto postada há cinco semanas em rede social, com saudação nacional ucraniana - Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
04.07.2022 13h49  /  Postado por: Redação

Dono de uma borracharia em São José dos Ausentes, nos Campos de Cima da Serra, Douglas Búrigo, 40 anos, é o segundo voluntário gaúcho morto na Guerra da Ucrânia. Ele viajou em 22 de maio com o objetivo de prestar ajuda humanitária nos conflitos com a Rússia, mas acabou no front na região de Kharkiv, onde foi vítima de um bombardeio entre a noite de sexta-feira (1º) e a manhã de sábado (2).

Filho de veterinário e de professora, Douglas serviu no Exército em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, de 2000 a 2005, no 22º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado. Trabalhou como caminhoneiro e atualmente tinha uma borracharia com loja de pneus às margens da BR-285.

— Ele não ficava muito tempo em um mesmo lugar, gostava de andar por aí. Ele era muito inteligente e muito intenso em tudo que fazia — conta a irmã, Denise Búrigo dos Reis

Gostava de festas e de rodeios — seguindo os passos do pai, laçava em eventos da região. E não perdia a oportunidade de “assar uma carne”.

— Ele ligava quase toda semana convidando para um churrasco. Dizia: Ju, traz os amigos — conta a amiga Juçara Maciel, 56 anos, professora.

A trilha sonora que regava esses encontros, normalmente, era composta por MPB, rock ou música nativista. A amiga se refere a ele como um homem alto astral e também muito generoso.

— Era um anjo em forma de humano. Uma pessoa que, se alguém precisasse, tirava a roupa do corpo para entregar.

Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Foto enviada por Douglas da Ucrânia aos familiares – Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Uma amiga próxima, que preferiu não ter o nome publicado, diz que o gaúcho passou por uma tragédia pessoal antes de ir para Ucrânia. No começo de 2022, o ex-militar perdeu um dos melhores amigos de infância. Arrumou um caminhão de flores para carregar o caixão, e não saiu do lado do corpo durante o velório.

— Ele sempre foi muito prestativo, a ponto de dar tudo para ajudar o próximo. Até mesmo a vida — relata. — Hoje, não podemos nem arrumar ele. Nem velar ele.

Denise conta que ele escolheu ir para a Ucrânia porque queria se sentir e ser útil e “ajudar as crianças que estavam lá sofrendo”. A família tentou dissuadi-lo da ideia, sem sucesso. Ele se comunicava quase diariamente com os pais por mensagens de texto, e o último contato foi com a mãe na terça-feira (28), por telefonema.

— Ele disse que ia para o front e lá não tinha internet, nem energia. Iria ficar uns dias incomunicável — diz Denise.  — Ele foi, na verdade, para missão humanitária, não era para combate. Mas ele tinha conhecimento, por ter ficado alguns anos no Exército, e era muito inteligente. Acho que por isso que acabou na linha de frente.

A família foi comunicada da morte por outros brasileiros que estavam com ele. Ainda não há informações sobre translado do corpo ao Brasil.

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