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Educação

‘Memória melhorou 100%’, diz mulher de 71 anos que saiu de Sobradinho para estudar em Santa Maria

17.01.2020 09h32  /  Postado por: Elion Silva

“A faculdade parece que foi criada para jovens, mas ela recebe todo mundo”, afirma Almeri Moura Pereira, de 71 anos, recém-formada em pedagogia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do estado. A cerimônia de sua primeira colação de grau foi no sábado, 11, no Centro de Convenções da universidade.

“Abriu minha mente, melhorou minha autoestima, a memória melhorou 100%. E a convivência com jovens foi muito boa”, destaca.

Aposentada, viúva e com as filhas fora da cidade, em 2010 Almeri decidiu voltar a estudar para terminar o ensino médio.

“Me sentia muito sozinha e achei que precisava fazer alguma coisa”, conta.

Depois de uma tentativa de cursar matemática, Almeri decidiu deixar Sobradinho para estudar e morar em Santa Maria.

“O nosso tempo é qualquer hora, onde a gente quiser estudar.”

Em 2015, fez vestibular para pedagogia e foi aprovada em segundo lugar na UFSM. Na cidade, ela foi morar na Casa do Estudante (CEU) e dividiu uma quitinete com uma colega de curso.

Apesar de algumas dificuldades, principalmente em relação às tecnologias, Almeri afirma que não tem nada a reclamar do período que passou na universidade. A pedagoga realizou diversos estágios em escolas públicas na cidade. No último, conta que os alunos a chamavam de “vóvó”.

“Tinha medo de ser rejeitada pela minha idade, e no final eles pediram para eu não ir embora, que iriam sentir saudades”, recorda Almeri.

O trabalho de conclusão de curso sobre a inclusão de surdos na UFSM foi escrito quase todo à mão, e ela ainda recebeu nota máxima na apresentação.

A entrega do diploma foi assistida pelas duas filhas e pelos três netos. “Foi lindíssima [a formatura], recebi homenagens dos colegas oradores e também dos professores”, conta.

Com o fim da graduação, Almeri vai voltar a morar em Sobradinho. Ao G1, ela contou que não pretende se acomodar, e que deve se dedicar a ensinar o que aprendeu.

“Meu objetivo é levar um pouco de esperança para as pessoas da minha idade. Sei que vamos ficando acomodados, e é muito ruim para nós, vamos achando que não temos tempo para as coisas”.

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